Temática das Diferenças

Este blog tem por objetivo abranger a temática das diferenças focando, todas as dimensões relacionadas entre si, baseadas no Projeto Político-Pedagógico da Escola, contendo atividades que envolveram mais de uma disciplina ou área e toda a comunidade escolar.

domingo, 7 de março de 2010

PROJETO

CURSO: EDUCAÇÃO PARA DIVERSIDADE E CIDADANIA – UNESP - SECAD - UAB
TUTORES : Andréia de Carvalho Lopes
Nelson Antônio Pirola

ALUNO (A)s: Daniela Forte Malagoli de Oliveira
Lisandra Roveda Milani
Eliane do Perpétuo Surmani de Almeida
GRUPOS: A e D
POLO: Bálsamo


TRABALHO FINAL – PROJETO

Projeto abrangendo a temática das diferenças focando todas as dimensões relacionadas entre si, baseadas no Projeto Político-Pedagógico da escola, contendo atividades que envolveram mais de uma disciplina ou área e toda a comunidade escolar.


CONVIVENDO E RESPEITANDO AS DIFERENÇAS

Identificação do grupo: Em busca da Igualdade


Nome: Daniela Forte Malagoli de Oliveira
Escola: E.M.E.F.E.I “Prefeito Jesus Soler Rodrigues” cedida para Apae de Mirassol
Município: Bálsamo
Grupo: A subgrupo A2
Nome d@ tutor/a online: Andréia de Carvalho Lopes
Nome d@ tutor/a presencial: Marcia Elizandra Martins e Fábio Boschesi

Nome: Lisandra Roveda Milani
Escola : E.M.E.F.”Modesto José Moreira” cedida para Apae de Mirassol
Município: Bálsamo
Grupo: A subgrupo A2
Nome d@ tutor/a online: Andréia de Carvalho Lopes
Nome d@ tutor/a presencial: Marcia Elizandra Martins e Fábio Boschesi

Nome: Eliane do Perpétuo Surmani de Almeida
Escola: E.M.E.F.E.I “Prefeito Jesus Soler Rodrigues” cedida para Apae de Mirassol
Município: Bálsamo
Grupo: D subgrupo D1
Nome d@ tutor/a online: Nelson Antônio Pirola
Nome d@ tutor/a presencial: Marcia Elizandra Martins e Fábio Boschesi


Data de finalização: 30 / 11 / 2010


Objetivos pretendidos com a atividade proposta:
I – Criar na escola um espaço cultural de socialização e desenvolvimento do (a) educando (a);
II – Preparar o (a) educando (a) para o exercício da cidadania;
III – Valorizar ações de cooperação e solidariedade, desenvolver atitudes de ajuda, colaboração e compartilhar suas vivências;
IV – Estimular os familiares e a comunidade a refletir sobre a função social da escola;
V - Respeitar as características pessoais relacionadas ao gênero, raça, etnia, sexualidade etc.;
VI – Participar das brincadeiras meninos e meninas, igualmente;
VII - Identificar alguns papéis sociais existentes em seu grupo de convívio, dentro e fora da instituição;
VIII - Respeitar e valorizar idéias, valores e produções alheias;
IX – Associar as diferenças com os eixos Movimento, Música, Artes Visuais, Linguagem Oral e Escrita, Natureza e Sociedade e, Matemática.

Descrição da atividade:
De acordo com o plano gestor da escola, desenvolveremos o projeto político pedagógico baseado na temática EDUCAÇÃO PARA DIVERSIDADE E CIDADANIA e propomos passo-a-passo a seguinte atividade:
As crianças de 3 a 6 anos da Educação Infantil serão divididas em grupos conforme a faixa etária e conta com o envolvimento de todos os profissionais na escola.
Três bonecos e três bonecas preferencialmente de plástico serão levados para a escola por uma das professoras, de preferência uma que vai entrar em licença (prêmio) e vai se afastar ou por uma pessoa da comunidade que não seja muito conhecida pelas crianças (pela necessidade do afastamento) ou ainda por uma pessoa intermediária, que entregará os bonecos para eles, dando os recados da primeira pessoa.
Obs: A escola já providenciou os bonecos (ou arrecadação da comunidade de melhor nível sócio-econômico, ou com lojas da comunidade ou ainda com recursos da própria escola. Será feita anteriormente uma reunião envolvendo a comunidade, isso também servirá para uma reeducação sobre a temática EDUCAÇÃO PARA DIVERSIDADE E CIDADANIA.
Esses bonecos contam com as seguintes diferenças: masculino, feminino, deficiência física, pardo, negro, branco, obesidade e desnutrição.
- A senhora chegará com os bonecos sem roupa no local onde será iniciado o desenvolvimento do projeto (Os alunos das outras classes poderão assistir e também todos os profissionais, onde todos tomarão conhecimento do foco da temática EDUCAÇÃO PARA DIVERSIDADE E CIDADANIA, que são as relações entre elas).
A senhora, com a permissão da professora da classe, inicialmente conversará com os alunos: - Eu vou deixar esses bonecos com vocês porque preciso viajar para cuidar de um filho que está doente. Vocês podem, por favor, cuidar deles para mim? Levante a mãozinha quem vai cuidar muito bem deles, até eu voltar! (responsabilidade) Eles estão sem roupa e sem nada, porque saí com tanta pressa e não peguei nada deles. Também ainda não coloquei nomes neles, vou deixar para vocês escolherem os nomes (serão escolhidos por um processo eleitoral, por exemplo, quantos querem esse nome? – que foi escolhido pelos alunos; aí se faz a contagem e a maioria ganha.
- A senhora agradece e sai, então é a vez da professora da classe assumir a continuidade do desenvolvimento do projeto. Ela dirige-se as crianças e diz: - Bom, precisamos arrumar roupinhas para eles, escovinha de dentes, pasta, mochilinha, pente e outras coisinhas mais. Como vamos fazer? A professora aguarda, deixa que eles reflitam sobre como arrumar e espera que todos dêem a sua opinião (aprender a solucionar desafios). A professora acolhe o máximo possível as ideias deles e depois de uma maneira ou de outra, conseguirão, as roupinhas de cada um e os acessórios; interessante se mães dos alunos costureiras fizessem com retalhos as roupinhas (solidariedade), os outros objetos serão arrecadados e as crianças vão compartilhando de tudo. Quanto ao uso de escova, de pasta, escovinhas de cabelo e alguns acessórios quando não for possível usá-los concretamente (por exemplo, escovar os dentes de algum boneco) deve-se brincar de “faz de conta”. Para Piaget (1975), “pelo jogo simbólico, a criança busca coerência com a realidade”, “os jogos simbólicos são de uma seriedade absoluta para elas”. É, portanto um trabalho lúdico-conscientizador sobre diferenças.
Uma criança de cada turminha ficará responsável por cuidar de um (a) boneco (a) por um dia dentro da escola e o levar para casa, juntamente com os seus pertences. Será feito um rodízio, para que todos os alunos possam participar ativamente da temática EDUCAÇÃO PARA DIVERSIDADE E CIDADANIA e suas relações. Também será feito um rodízio dos (as) bonecos (as). Alguns pais, enraizados na heterossexualidade, provavelmente não aceitarão que os filhos (homens) levem bonecas para casa, portanto, anteriormente em reuniões já foi explicado para eles, que seus filhos não convivem na realidade só com meninos; no caso de haver contrariedades duras, serão mandados só bonecos para esse menino e para aqueles que ocorrer rejeição difícil (após serem consumidos todos os argumentos da professora).
Obs: O número de bonecos poderá ser maior, conforme o número de turmas.
Nos finais de semana os profissionais da escola ficam responsáveis por cuidar dos bonecos (as) (todos da escola); assim será oportuno para se cuidar melhor (higiene) dos (as) bonecos (as), suas roupas e acessórios, passando bons valores para as crianças; isso também vai garantir que nenhuma criança maior, dos familiares dos alunos, possam deturpar o projeto.
Nas férias os (as) bonecos (as) ficarão novamente com os profissionais da escola. Ao reiniciarem as aulas os bonecos voltam para a escola.
No final do ano a pessoa que levou os bonecos inicialmente para a escola voltará para pegá-los e dirá que agora vai poder cuidar deles.
Os bonecos devem ser integrados em todas as atividades diárias e também nas festividades. Nessas ocasiões é importante que se faça uma roda de conversa, para diagnosticar as vivências das crianças.
Quanto à interdisciplinaridade, a temática EDUCAÇÃO PARA DIVERSIDADE E CIDADANIA pode estar também relacionada com:
Movimento:
Ver-se com o boneco pelo espelho, depois desenhá-lo e pintá-lo ou moldá-lo com argila ou massa de modelar. Ir ao parquinho da escola e levar os bonecos no escorregador, rodar com as crianças no “gira-gira”, subir e descer escadas com os bonecos e em todos os brinquedos possíveis; brinquedos de roda com os bonecos; apostar corridas na quadra ou no pátio e ver quem chega primeiro (os bonecos vão assistir, a platéia (os outros alunos) vão segurar os bonecos ; os bonecos vão bater palminhas juntamente com as crianças aos vencedores. Ensinar lateralidade, usando os bonecos a direita ou a esquerda; para cima e para baixo; dentro e fora; frente e atrás (onde os bonecos estão, na frente ou atrás de nós? Dentro ou fora do círculo? Etc).
Música:
Ouvir músicas e ficar, em silêncio juntamente com os bonecos e perceber sons (graves ou agudos), duração (curtos ou longos), intensidade dos sons (fracos ou fortes) e timbre (distinção e “personalização” de cada som).
A professora colocará músicas para demonstrar as diferentes culturas do ser humano e perguntará: - Qual boneco gosta mais desta música? Por exemplo, um “batuque” ou um “samba” (faz parte da cultura afro-brasileira)...
A professora usará a música em jogos e brincadeiras como:
A galinha do poleiro,
Bota ovo o ano inteiro!
Bota um, bota dois,
Bota três, bota quatro,
Bota cinco, bota seis,
Bota sete, bota oito,
Bota nove, bota dez!
Obs: No início da música até o penúltimo verso, os alunos em roda brincarão de mãozinhas dadas, também com os bonecos. No final (no último verso da música), todos abaixarão inclusive os bonecos.
Poderá ser apresentada à classe a improvisação musical, para dançarem juntamente com os bonecos e ainda para as crianças ouvirem juntamente com os bonecos obras musicais de diversos gêneros, estilos, épocas e culturas, da produção musical brasileira e de outros povos e países.
Artes Visuais:
As crianças criarão desenhos, pinturas, colagens, modelagens a partir de seu próprio repertório (provavelmente os bonecos já estarão presentes no repertório deles).
Farão o artístico por diversos materiais: parquinho da escola, sala de aula, passeios (todos com a presença dos bonecos).
Exposição com diversidades de produções artísticas, como desenhos, pinturas, esculturas, construções, fotografias, colagens, ilustrações, filmes etc (todos com a presença dos bonecos).
Leitura de obras de arte a partir da observação, narração, descrição e interpretação de imagens e objetos (usar os bonecos).
Linguagem Oral e Escrita:
Com o projeto dos bonecos a linguagem oral será usada também como conversas, nas brincadeiras, para a criança se comunicar e expressar desejos, necessidades, opiniões, idéias, preferências e sentimentos e relatar suas vivências nas diversas situações de interação no cotidiano.
Elaboração de perguntas e respostas dos diversos contextos e principalmente sobre o projeto dos bonecos.
Relato de experiências vividas e narração de fatos principalmente sobre os bonecos.
Recontar histórias conhecidas envolvendo algum tipo de boneca que a criança já teve (cor, tipo de cabelo, jeito de ser etc).
Conhecimento e reprodução oral de jogos verbais como trava-línguas, parlendas, adivinhas, quadrinhas, poemas e canções (Nesse momento é importante incluir as diferenças dos bonecos), por exemplo:
O que é o que é? O professor poderá expor as diferenças dos bonecos com muita naturalidade, com muita habilidade, para que as crianças aprendam a conviver com elas, com respeito e dignidade.
O professor poderá selecionar textos relacionados com as diferenças existentes dos bonecos onde se valoriza o negro, ou montar um livro onde apareça o negro destacando-se pela sua importância e tantas outras gravuras que não desmereçam o pardo, o negro o japonês, o homossexual, o gordo como ocorre nos livros didáticos, mas ao contrário, que valorizem e respeitem essas diferenças, mostrando com destaque os seus valores e passando esses valores para as crianças.
Os textos podem ser lidos pela professora, onde as pessoas devem ser tratadas com respeito e dignidade.
Livros de leituras infantis devem ser manuseados pelos alunos (aqui o professor poderá selecionar livros que valorizem as diferenças, onde não há preconceito, por exemplo, uma pessoa branca de olhos verdes ou azuis abraçando uma pessoa negra, com alegria, com respeito. Infelizmente não é fácil encontrar livros que favoreçam as diferenças, mas o (a) professor (ra) sabe muito bem montar livros com esses tipos de gravuras.
A criança deverá levar esses livros para casa, servirá também para a reeducação dos familiares e da comunidade.
Quanto à escrita a criança deve participar em situações cotidianas nas quais se faz necessário o uso da escrita; isto pode ocorrer quanto aos bonecos (nomes, roupas, pente, escova, mochila etc).
Escrever o nome do aluno perto dos nomes dos bonecos.
As crianças podem inventar textos individuais e/ou coletivos que serão ditados oralmente ao professor, isso pode ser aplicável na descrição das diferenças dos bonecos, com orientação da professora.
Natureza e Sociedade:
Atividades que envolvam histórias, brincadeiras, jogos e canções que dizem respeito às tradições culturais de sua comunidade e de outras. Nesse “outras” os conteúdos serão usados quanto às diferenças dos bonecos.
Conhecimentos do modo de ser, viver e trabalhar de alguns grupos sociais do presente e do passado. Aqui também o professor tem a oportunidade de explicar para os alunos as diferenças entre os grupos sociais.
Valorização do patrimônio cultural do seu grupo social e interesse por conhecer diferentes formas de expressão cultural. O professor usando os bonecos como fantoche poderá usar as formas de expressão cultural.
Passeios com os bonecos para conhecer a paisagem local (rios, vegetação, construções, florestas, campos, açudes etc), com a autorização antecipada dos pais.
Confecção de objetos das diferentes culturas com argila ou massa de modelar e fazer exposição desses objetos.
Passeios com os bonecos a fim de conhecimento das diferentes espécies de seres vivos, isto é passeios em bosques (com a autorização antecipada dos pais).
Criação de pequenos animais e cultivo de vegetais com a presença dos bonecos.
Percepção dos cuidados necessários à preservação da vida e do ambiente. Nessa parte a professora vai perguntar onde as crianças colocam os brinquedos como bonecas, caminhões, tratores etc quando já estão bem estragados e onde também pode se colocar os acessórios dos bonecos, quando tiverem bem estragados.
A professora aproveitará todas as oportunidades como: passeios, cultivo de plantinhas, criação de pequenos animais etc, para falar sobre o conteúdo acima, que é tão importante para as nossas vidas.
Valorização da vida que envolva cuidados prestados as plantas e animais. Nesse ponto a professora pode falar das diferenças das pessoas que tanto ferem, quando há preconceitos e que estes fazem mal à saúde das pessoas, isto com muita habilidade para não magoar ninguém, mostrar que as pessoas felizes são as que vivem em paz.
Percepção dos cuidados com o corpo, à prevenção de acidentes e à saúde, de forma geral. Usar os bonecos como se fossem pessoas que poderiam estar nos perigos da rua, se nós não cuidássemos deles porque a dona deles precisou viajar para cuidar também do filho doente. É preciso socorrer as pessoas e se ajudar, oferecendo também bem estar coletivo.
Mostrar os fenômenos da natureza de diferentes regiões, falar sobre o que está acontecendo nas regiões e no mundo: ventos de 130Km por hora no sul, tornados, destruição, chuvas em excesso, alagamentos etc, excesso de raios no Estado de São Paulo, seus perigos e cuidados e explicar porque está ocorrendo isso, que o próprio ser humano está destruindo a natureza. Mostrar como cada um de nós pode ajudar a preservar a natureza e falar novamente dos materiais recicláveis e de outros trabalhos importantes para fazer.
Os bonecos também estão presentes nessa “roda de conversa”.
Matemática:
Utilização da contagem oral nas brincadeiras e em situações nas quais as crianças reconhecem a sua necessidade. Aqui a professora pode contar com as crianças os bonecos, as mãozinhas deles, os pezinhos, os dedinhos, as roupinhas, as mochilinhas, os pentes, as escovinhas etc.
Utilização de noções simples de cálculo mental como ferramenta para resolver problemas. A professora pode dar problemas orais, como por exemplo, de adição e subtração com os bonecos. Por exemplo: No círculo estão três bonecos, vão chegar mais dois. Quantos vão ficar dentro do círculo?
Comunicação de quantidades, utilizando a linguagem oral, a notação numérica e/ou registros não convencionais. Os alunos vão olhar vários grupinhos de bonecos e, um aluno por vez, vai dizer quantos tem em cada grupo e pode depois desenhar quantidades agrupadas e registrar também o numeral.
Identificação da posição de um objeto ou numeral numa série explicitando a noção de sucessor e antecessor. Novamente os bonecos aparecem e eles vão perceber quando enfileirados o que vem antes e o que vem depois e também na numeração em série que podem ser colocada perto dos bonecos.
Quanto a grandezas e medidas podem os bonecos ser pesados numa pequena balança e sem tiradas as medidas deles com uma fita métrica ou régua (no comprimento).
Marcação de tempo num calendário com numerais grandes e coloridos onde as crianças poderão contar quantos dias faz que os bonecos chegaram aqui, quantos dias já passaram, depois quantos meses, mostrar que ficarão até as férias (mostrar no calendário).
Experiência com dinheiro em brincadeiras ou em situações de interesse das crianças. Aqui pode ser feita uma loja de brinquedos, que alguns alunos são donos e outros vão comprar; os bonecos vão entrar nos brinquedos e aí a professora pode fazer uma avaliação sobre como as diferenças estão sendo tratadas.

Finalidades a serem atendidas:
I – Esse projeto motivará as crianças porque se insere no cotidiano da escola, é de uma participação coletiva e envolve toda a escola, os familiares e até a comunidade. Além das crianças o projeto motivará também as diferenças dos profissionais em questão. Num contexto geral temos relações interpessoais mais satisfatórias, dentro do contexto educativo. As diferenças não podem ser tratadas como se não existissem, nem trabalhadas apenas quando surge algum caso na Instituição. Portanto, necessário se faz, um trabalho educativo abordando as diferenças, num verdadeiro processo inclusivo pautado no respeito, na cidadania e na paz.
II – Uma instituição educacional que acredita no verdadeiro processo de inclusão deve promover situação diária em que seus alunos desde a Educação Infantil, cultivem respeito, amor, cidadania, o cuidar de si e do outro, aceitação, companheirismo e tantos outros valores necessários à formação de um cidadão justo. Essas situações devem envolver toda a comunidade escolar, num movimento de troca de experiências entre as famílias e possíveis conscientizações em torno do processo de se educar um filho para atuar numa sociedade inclusiva.
II – Nessa convivência diária com os bonecos é desenvolvida também a afetividade, no “faz-de-conta” com os bonecos e também entre os colegas de sala de aula e fora dela, respeitando também as diferenças entre todos os profissionais da escola e da comunidade onde estão inseridos, tratando a todos com respeito e dignidade e assim crescendo e se preparando para uma vida de paz e também os outros viverão com a paz e a dignidade que merecem.
Wallon afirma que “através da afetividade a criança demonstra seus desejos e necessidades”.
É necessário que haja um preparo para a inclusão escolar, desde a Educação Infantil, quando a criança ainda possui a pureza de seu sorriso durante suas interações com seus colegas e, pode ser facilmente incentivada a se manter afastada de todos que não sejam “o bom”, ou que não sejam iguais a ela.
IV – Nas reuniões que serão realizadas com os familiares dos alunos e a comunidade, a temática EDUCAÇÃO PARA DIVERSIDADE E CIDADANIA será enfocada.
Quanto aos materiais didáticos:
- Invisibilidade de negros/os e indígenas ou apresentados como minoria, quando o pardo já é considerado como mais da metade da população brasileira. Eles não aparecem nos cartazes expostos nos painéis da escola, nem nas ilustrações dos livros didáticos e paradidáticos. Quando aparecem em multidões, há um (a) negro (a) e um indígena, dando a equivocada imagem de minoria.
- Omissão da identidade racial de personalidades históricas: aqueles que se destacam são vistos como “negros (as) de alma (e corpo) brancos (as)”, os ilustradores tratam de clareá-los.
- Personagens negras da literatura infantil são denominados por apelidos e estão sempre cuidando da família dos outros.
- Negros como sinônimo de escravo/a: aparecem no capítulo do livro de história destinado à escravidão e só atualmente nas páginas das datas comemorativas, como o Dia 20 de novembro, Zumbi e o Quilombo dos Palmares.
Quanto às atitudes:
- Conflitos étnico-raciais são localizados como problemas entre estudantes: a culpa é atribuída à família ou a mídia sobre os preconceitos e as discriminações ocorridas no espaço escolar.
- Vocabulário racista usado sem limites.
- Responsabilizam negros/as e indígenas pela sua própria discriminação.
Quanto aos indígenas:
- Falam dos povos indígenas sempre no tempo passado, como se fossem peças de museu.
- Os povos indígenas aparecem como ingênuos e atrasados.
- Quando os indígenas surgem nos contextos urbanos, universitário ou político apresentando demandas articulados, são acusados de não serem mais índios, por não serem mais selvagens e incapazes de falar autonomamente.
De acordo com a convenção do IBGE pesquisada no Google, negro é quem se auto-declara preto ou pardo. Embora a ancestralidade determine a condição biológica com a qual nascemos, há toda uma produção social, cultural e política da identidade racial/étnica no Brasil.
Vale mencionar ainda as polêmicas sobre o conceito de raça e de etnia, que, a grosso modo, raça deveria ser um conceito biológico, enquanto etnia deveria ser um conceito cultural. Não sendo raça uma categoria biológica, etnia também se revela como um conceito que não é estritamente cultural, pois a delimitação de grupos étnicos parte de uma suposta alocação deles no conjunto dos grupos populacionais raciais sem abstrair a unidade do local de origem, e, para delimitar etnia, considera-se concomitância de características somáticas (aparência física), lingüísticas e culturais. Enfim o conceito de raça é uma convenção arbitrária e pode ser enquadrada como uma categoria descritiva da antropologia, uma vez que é baseada nas características aparentes das pessoas. Portanto, o uso dos termos raça ou etnia está circunscrito à destinação política que se pretende dar a eles.
Assumir a identidade racial negra em um país como o Brasil é um processo extremamente difícil e doloroso, considerando-se que os modelos “bons”, “positivos” e de “sucesso” de identidades negras não são muitos e poucos divulgados e o respeito à diferença em meio à diversidade de identidades raciais/étnicas inexistente.
Durante as reuniões com os familiares e a comunidade ainda serão expostos a respeito de preconceitos sobre Sexualidade e Orientação Sexual, tão presentes nas escolas brasileiras e que sobre essa diferença há uma população tão sofrida.
Ainda serão expostos os valores respeito e dignidade que é o modo correto de tratar essa população tão sofrida.
Para a realização deste projeto utilizamos o Livro de Conteúdo Gênero e Diversidade na Escola, Marcas da Diferença no Ensino Escolar. Pesquisamos os Materiais Didáticos e Atitudes na página 244 do Livro Gênero e Diversidade na Escola. Buscamos auxílio também de alguns sites de busca como o Google, do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil e outros.
Obs: Este Projeto é perfeitamente aplicável em nossa escola.

Espaço físico onde deve ser realizada a atividade:
Pode ser realizada em sala de aula normal ou na quadra poliesportiva ou num salão da comunidade, principalmente o início da aplicação do “Projeto dos bonecos”, pois a comunidade poderá também participar da abertura do Projeto, assim irão melhor se reiterando das temáticas em foco.

Material necessário:
Cadeiras para que todos possam assistir acomodados, ou mesinhas com cadeirinhas se for em sala de aula, os bonecos e as bonecas inicialmente. Depois as mochilinhas, os pentes, as escovinhas, as toalhinhas, as roupinhas dos bonecos, os sapatinhos, revistas, tesouras, cola, cartolina, giz, massa de modelas ou argila, lápis de cor, papel sulfite, lápis preto, máquina fotográfica para as fotos ou filmagens.

Meio de comunicação a ser utilizado, caso necessário:
Revistas, mural, jornal da cidade (pode-se fotografar e colocar), TV, vídeo, DVD, bilhetes (para os pais e comunidade) etc.

Tempo necessário à realização da atividade:
a) Para planejamento:
As aulas sobre a atividade serão planejadas durante todo o ano letivo.
b) Para execução:
Durante todo o ano letivo.

Número ideal de participantes:
Alunos: 24 (6 grupos de 4 alunos).
Quanto aos profissionais da escola, os familiares, e a comunidade: O número é indefinido.

Descrição dos/as participantes:
Alunos de 3 a 6 anos, professores da escola, senhora que trará os bonecos, diretora, coordenadora, vice-diretora, familiares dos alunos, comunidade.

Avaliação:
Será feita diária e constantemente em todas as ações dos alunos, em todas as atividades orais e escritas, principalmente em relação às diferenças e se preciso retomando o educar sem pressão e sem desmerecimentos, numa estimulação também constante para uma nova aprendizagem, para juntos alcançarmos todos os objetivos e que os alunos possam caminhar numa verdadeira cidadania democrática e em paz.


Referências

BRASIL, MEC/SEF. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil: introdução, v.1, Brasília, 1998.

BRASIL, MEC/SEF. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil: formação pessoal e social, v.2. Brasília, 1998.

BRASIL, MEC/SEF. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil: conhecimento de mundo, v.3. Brasilia, 1998.

BELELI, Iara; MISKOLCI, Richard; RISCAL, Sandra e SILVÉRIO, Valter R. Marcas da Diferença no Ensino Escolar. UFSCar virtual, São Carlos, 2009.

DAIBÉM, Ana Maria L.; TALAMONI, Jandira L. B. Educação Ambiental na Prática Educacional. In: MARANHE, Elisandra A.; MORAES, Mara Sueli S. (Orgs.). Coleção UNESP-SECAD-UAB: Educação de temas Específicos. São Paulo: UNESP, Pró Reitoria de Extensão, Faculdade de Ciências, 2009. v. 4.

FONSECA, Dagoberto José. Educação das Relações Étnico-Raciais: O Brasil Afro. In: MARANHE, Elisandra A.; MORAES, Mara Sueli S. (Orgs.). Coleção UNESP-SECAD-UAB: Educação de temas Específicos. São Paulo: UNESP, Pró Reitoria de Extensão, Faculdade de Ciências, 2009. v. 4.

GDE: Formação de Professoras/es em Gênero, Orientação Sexual e Relações Étnico-Raciais. Livro de Conteúdo. Versão 2009 – Rio de Janeiro: CEPESC; Brasília, SPM, 2009.

MAIA, Ana Cláudia B.; MAIA, Ari Fernando. Educação para as Questões de Gênero e Diversidade Sexual. In: MARANHE, Elisandra A.; MORAES, Mara Sueli S. (Orgs.). Coleção UNESP-SECAD-UAB: Educação de temas Específicos. São Paulo: UNESP, Pró Reitoria de Extensão, Faculdade de Ciências, 2009. v. 4.

OLIVEIRA, Fátima. Ser negro no Brasil: alcances e limites. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex&pid=S0103-40142004000100006. Acesso em: 26 nov. 2009.

PIAGET. Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro, Zabar Editores, 1975.

WALLON, H. A evolução psicológica da criança. Lisboa, Edições 70, 1968.

___________. As Origens do Caráter na Criança. São Paulo, Difusão Européia do Livro, 1971.

Um comentário:

  1. Parabéns, o blog está com uma estética leve suave,agradável,clean!

    ResponderExcluir